terça-feira, janeiro 06, 2009

O B-52

Sem sombra de dúvida que os tempos áureos do B-52 já vão longe, mas é admirável que um bombardeiro estratégico tão antigo tenha revelado um grau de sobrevivência temporal tão elevado e que ainda hoje cruze os céus. Porque estamos a falar de um aparelho com 50 anos de vida, que num avião é uma eternidade. É claro que os B-52s de agora já não são nada do que eram em 1959, quando os primeiros foram entregues ao SAC americano. Mas é espantoso que um avião tão pesado e lento concebido para bombardeamento nuclear tenha sobrevivido a toda a guerra fria e ao que veio depois disso. Mas a imagem mais marcante que guardo deles é da “Guerra dos Onze Dias” sobre Hanói e Haifong, em que fizeram 700 incursões com um número de perdas considerável (15 B-52s abatidos). Mas conseguiram pressionar os norte-vietnamitas a negociar em Paris com Kissinger e a chegar a um acordo sobre a Guerra do Vietname. Foram voos impressionantes que chegavam a demorar 18 horas. Tudo já passou. Tudo é já memória e já ninguém se lembra dos B-52s sobre Hanói.

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terça-feira, dezembro 30, 2008

As pastilhas

Sou de um tempo em que as pastilhas elásticas eram sempre as mesmas. Pouco escolha havia. Lembro-me bem das Pirata e das Gorila. Eram baratas e vendiam bem, mas os tipos lá da fábrica metiam uns cromos à mistura. Lembro-me dos comboios nas Pirata e dos aviões. E dos sinais de trânsito nas Gorila e outra vez os aviões.

E lembro-me de fazermos colecção e da colecção andar à volta dos 809 aviões. Como é que um miúdo ia agora comer 809 pastilhas para ter uma colecção de aviões em cromos? Mas os aviões eram excelentes e quem comprava trocava e havia mesmo alguns que andavam sempre a olhar para o chão a ver se apanhavam algum cromo.

Certo dia, um vizinho meu, lá fez a colecção (não dos 809 aviões, mas da 2ª Guerra Mundial) e lá mandou a colecção para os tipos da Gorila e recebeu em casa uma caderneta colorida com os aviões da Grande Guerra. E eu não fiz mais nada senão pedir-lhe emprestado a dita e fotocopiá-la. A preto e branco porque naquele tempo não havia fotocópias a cores.

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